Nos dias 12,13 e 14 de setembro apresentamos oficina na escola
Vilma Brito cujo o tema foi a musica , onde abordamos a temática para mostrar
os diversos ritmos e estilos de sons . A escolha do tema se deu , a partir do
interesse que os alunos demonstraram na intervenção passada , onde eles ,
apontaram esse desejo e nós decidimos atender esse pedido.
Cada bolsista se encarregou de
escolher um ritmo musical e através desse ritmo desenvolver juntos dos alunos ,
os instrumentos musicais , dividimos a sala em equipes e cada um dirigiu-se a
seu grupo para orientar e confeccionar cada instrumento.
A escolha do ritmo de cada equipe
se deu através de um sorteio , onde os temas a serem escolhidos foram Pagode ,
MPB , Forró , Axé . Após cada equipe escolher seu tema explicamos como e onde
surgiu cada ritmo , conceituamos um por um e mostrando onde eles encontrariam
cada ritmo apresentado , logo em seguida cada monitor sentou junto do seu grupo
e ajudou-os a fazer seu instrumento.
A turma após o termino da
confecção do instrumento , apresentaram
ao restante da sala , cantando a musica escolhida juntamente com o instrumento
confeccionado , de forma dinâmica e interativa com bastante entusiasmo .
Contudo durante o processo tivemos
dificuldades em apresentar o ritmo do axé que causou tanta polemica ,
pois os alunos a quem o tema foi sorteado , demonstraram-se muito arredios pra
não dizer preconceituosos no sentido de entender o real significado da palavra
axé , isso gerou um desgastes entre os demais da turma e até mesmo entre nós ,
pois tivemos que parar a aula , voltar e tentar explicar a definição da palavra
axé que até então pejorativamente conhecida deles , precisávamos expor nossa
intenção em abordar aquele tema e desmitificar o pensamento errôneos formulados
por eles , precisamos demonstrar que axé era só um ritmo musical baiano e como
tal precisava de todo nosso respeito até porque é um ritmo criado por nois
baianos , isso nos causou um verdadeiro reboliço pois eles associaram o ritmo a
religião demonizando e dizendo que tal ritmo se tratava de “coisa do diabo” e
quando parte nessa perspectiva religiosa devemos ter o Maximo de cuidado pois
cada um manifesta a religião que o agrada mais . Confesso que eu Murillo não conseguir
administrar muito a situação nova e desafiadora ,pois quando o aluno em sua fala me diz que as
religiões de matrizes africanas eram do demônio e quando o dialogo pendeu pra
esse lado eu não soube qual atitude tomar , se eu tentava explicar que não tinha
nada haver com o diabo ou se eu partia do ponto de vista cultural baiano os
quais eles também também faziam parte. A decisão imediata que tomamos foi de
partir do principio do respeito , que se houvesse respeito aqueles pensamentos
não teriam sido colocados para fora de forma tão preconceituosa.
A situação foi “controlada” pelo
menos momentaneamente , pois eu não acredito
que conseguimos mudar o pensamento da turma e nem é nossa intenção ,
mudar religião de ninguém , nossa intenção sempre foi a de mostrar formas
diferentes que conseguisse chegar neles para que os tornasse pessoas que
tivesse o mínimo de respeito para com os diferentes tipos de pensamentos . Esse
pensamento se deu de maneira quase que generalizada por parte dos alunos,
exceto que , no final da oficina uma pequena atitude por parte de um dos alunos
me deixou muito feliz e me fez pensar que conseguimos plantar o mínimo de noção
de respeito dentro da cabeça deles , o
mesmo aluno que desferiu palavras com termos tão pejorativo , foi o mesmo que
chegou até a mim e disse professor desculpas , eu disse desculpas por que ? Ele
não soube dizer ao certo , más subentendi que naquelas palavras existiam
arrependimento de não respeitar o pensamento , a religião e a cultura do outro ,
fiquei muito feliz que nossas palavras fizeram com que ele refletisse que
aquele pensamento preconceituoso não pode existir e que é através das diferenças existentes entre nós é
que pudemos nos tornar cidadãos sempre respeitando o próximo . tenho certeza
que tais pensamentos preconceituosos fazem parte do modo de vida que eles tem
acesso em casa com os pais , eles acabam engessando esse pensamento na mente
das crianças , e elas ficam assim , reproduzindo uma opinião alienante que os
torna reféns do preconceito , dentro de um pais inteiramente laico onde existem
diversas religiões e como tais precisam ser respeitadas.