terça-feira, 27 de setembro de 2016

OFICINA DE MÚSICA



Nos dias 12,13 e 14  de setembro apresentamos oficina na escola Vilma Brito cujo o tema foi a musica , onde abordamos a temática para mostrar os diversos ritmos e estilos de sons . A escolha do tema se deu , a partir do interesse que os alunos demonstraram na intervenção passada , onde eles , apontaram esse desejo e nós decidimos atender esse pedido.
Cada bolsista se encarregou de escolher um ritmo musical e através desse ritmo desenvolver juntos dos alunos , os instrumentos musicais , dividimos a sala em equipes e cada um dirigiu-se a seu grupo para orientar e confeccionar cada instrumento.
A escolha do ritmo de cada equipe se deu através de um sorteio , onde os temas a serem escolhidos foram Pagode , MPB , Forró , Axé . Após cada equipe escolher seu tema explicamos como e onde surgiu cada ritmo , conceituamos um por um e mostrando onde eles encontrariam cada ritmo apresentado , logo em seguida cada monitor sentou junto do seu grupo e ajudou-os a fazer seu instrumento.
A turma após o termino da confecção  do instrumento , apresentaram ao restante da sala , cantando a musica escolhida juntamente com o instrumento confeccionado , de forma dinâmica e interativa com bastante entusiasmo . Contudo durante o processo tivemos  dificuldades em apresentar o ritmo do axé que causou tanta polemica , pois os alunos a quem o tema foi sorteado , demonstraram-se muito arredios pra não dizer preconceituosos no sentido de entender o real significado da palavra axé , isso gerou um desgastes entre os demais da turma e até mesmo entre nós , pois tivemos que parar a aula , voltar e tentar explicar a definição da palavra axé que até então pejorativamente conhecida deles , precisávamos expor nossa intenção em abordar aquele tema e desmitificar o pensamento errôneos formulados por eles , precisamos demonstrar que axé era só um ritmo musical baiano e como tal precisava de todo nosso respeito até porque é um ritmo criado por nois baianos , isso nos causou um verdadeiro reboliço pois eles associaram o ritmo a religião demonizando e dizendo que tal ritmo se tratava de “coisa do diabo” e quando parte nessa perspectiva religiosa devemos ter o Maximo de cuidado pois cada um manifesta a religião que o agrada mais . Confesso que eu Murillo não conseguir administrar muito a situação nova e desafiadora ,pois  quando o aluno em sua fala me diz que as religiões de matrizes africanas eram do demônio e quando o dialogo pendeu pra esse lado eu não soube qual atitude tomar , se eu tentava explicar que não tinha nada haver com o diabo ou se eu partia do ponto de vista cultural baiano os quais eles também também faziam parte. A decisão imediata que tomamos foi de partir do principio do respeito , que se houvesse respeito aqueles pensamentos não teriam sido colocados para fora de forma tão preconceituosa.
A situação foi “controlada” pelo menos momentaneamente , pois eu não acredito  que conseguimos mudar o pensamento da turma e nem é nossa intenção , mudar religião de ninguém , nossa intenção sempre foi a de mostrar formas diferentes que conseguisse chegar neles para que os tornasse pessoas que tivesse o mínimo de respeito para com os diferentes tipos de pensamentos . Esse pensamento se deu de maneira quase que generalizada por parte dos alunos, exceto que , no final da oficina uma pequena atitude por parte de um dos alunos me deixou muito feliz e me fez pensar que conseguimos plantar o mínimo de noção de respeito  dentro da cabeça deles , o mesmo aluno que desferiu palavras com termos tão pejorativo , foi o mesmo que chegou até a mim e disse professor desculpas , eu disse desculpas por que ? Ele não soube dizer ao certo , más subentendi que naquelas palavras existiam arrependimento de não respeitar o pensamento , a religião e a cultura do outro , fiquei muito feliz que nossas palavras fizeram com que ele refletisse que aquele pensamento preconceituoso não pode existir e que é  através das diferenças existentes entre nós é que pudemos nos tornar cidadãos sempre respeitando o próximo . tenho certeza que tais pensamentos preconceituosos fazem parte do modo de vida que eles tem acesso em casa com os pais , eles acabam engessando esse pensamento na mente das crianças , e elas ficam assim , reproduzindo uma opinião alienante que os torna reféns do preconceito , dentro de um pais inteiramente laico onde existem diversas religiões e como tais precisam ser respeitadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário